Temos um criadouro de jogadores de condomínio

O futebol não está ficando chato, já ficou. Tal afirmação é pleonasmo, é “chover no molhado”.

Ao término da partida entre Palmeiras e Atlético Mineiro pela 14ª rodada do campeonato brasileiro, no Allianz Parque, Ricardo Oliveira, atacante do Galo disse que Edu Dracena praticou o anti-jogo, quando o time paulista fez o gol da vitória nos instantes finais da partida, e, chutou uma bola em direção a torcida. Edu Dracena, por sua vez, ao ser entrevistado por André Hernan, repórter do SporTV/Globo, explicou a sua versão e disse que o Ricardo Oliveira, por ter reclamado, era um “otário”.

Os dois jogadores, veteranos, fazem parte da última geração de jogadores que falavam o que bem entendiam nos anos 1990. Naquele período, os jogos eram muito mais emocionantes, os mata-matas ainda figuravam como as grandes disputas entre os times, as rivalidades existiam, assim como hoje, e sempre existirão, a diferença era apenas uma, o jogador que se propunha a dizer tal coisa como Edu Dracena disse recentemente, “segurava o b.o.” assim como o zagueiro certamente o fará.

Acontece que, por conta de sua declaração, o jogador do Palmeiras foi denunciado e terá que prestar esclarecimentos no próximo dia 9 ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Isso mesmo, num tribunal desportivo. Outro que terá que se defender no tribunal é o presidente do Atlético Mineiro, que ao término da mesma partida declarou repúdio à arbitragem naquela ocasião.

Dracena poderá pegar até seis jogos de punição caso seja condenado por sua declaração. O STJD, que mais parece um circo sem lona, mais uma vez quer aparecer, e parece que desta vez, conseguiu. O desserviço que este órgão presta ao futebol é sem tamanho.

Para os “Togados do Pleno Desportivo”, convocar o jogador para se defender de uma entrevista é uma atitude de quem quer botar ordem na casa, mas, aos poucos, a cada vez que isso acontece, o futebol brasileiro fica mais pobre. O que pouca gente leva em conte, é que atitudes e denúncias como esta acaba afastando o torcedor do fuetbol. A cada denuncia por entrevista (claro que há exceções, se um jogador acusar ou denunciar algo, por exemplo), o futebol fica ainda mais elitizado, não se pode xingar, não se pode dar a sua opinião, isso mesmo, jogadores de futebol não poderão em breve dar entrevistas, pois serão julgados. Enquanto isso, a corrupção do futebol, ninguém com poderes para tal está preocupado em denunciar.

A cada derrota do Brasil em Copas do Mundo temos debates infinitos nas mesas redondas esportivas sobre as razões da seleção não ser mais tão boa como era antigamente, e, denúncias e ações como essa do STJD corroboram para que a seleção e o futebol brasileiro esteja a cada dia mais longe do que já foi um dia. Imaginem Romário, renato Gaúcho, Serginho Chulapa, Sócrates, Reinaldo, Garrincha, Tostão dando entrevistas no futebol atual, seriam suspensos por meses a cada partida em que fossem entrevistados.

Estamos com isso criando cada dia mais “jogadores de condomínio”, que não falam palavrão, que não podem ser cobrados, que não podem falar sem antes passar por um assessor, e depois perguntamos o que está acontecendo.

Quem já teve a oportunidade de jogar no futebol de várzea, sabe que algumas leis que nunca foram escritas são seguidas à risca, como ser “malandro” dentro de campo, defendendo a sua camisa “no braço” se for preciso. Hoje em dia não pode, se falar palavrão, vai ficar de castigo.

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