Palmeirense, muita calma nessa hora.

Passado um tempo de tudo o que aconteceu no domingo, respiramos fundo, e tentamos entender o que aconteceu, como e os “porquês”.

O palmeirense está irritado, não é para menos. E o que mais chama a minha atenção é que irritação não é só com o time. Pela perda do título para o maior rival. Está irritado com todo o “orquestramento” que fez o título paulista sair da Barra Funda. Em campo, o time que levou um gol aos 1,35 minutos da primeira etapa não teve forças o suficiente para empatar. Até teria, caso a absurda interferência externa entrar em cena e fazer com quê o árbitro da partida voltasse atrás na marcação do pênalti. Falei sobre isso aqui em texto conjunto com o André Nery da Webrádio Verdão.

O erro duplo da arbitragem, do trio, do quarteto ou do agora o quinteto, certamente deu um novo rumo à final. Ninguém garante que o Dudu faria o gol no Cássio, mas é óbvio que uma penalidade poderia mudar tudo no final das contas, até pensando na hipótese de o Dudu perder, talvez o tiraria da lista de batedores na disputa final, o que poderia mudar o cenário. Negar que essa situação influenciou no resultado é “clubismo”, como dizem.

O Palmeiras instituição sentiu o golpe e anunciou o seu rompimento com a principal causadora de todo o problema na decisão. Embora o presidente tenha acertado ao se declarar ao final da partida dizendo que o resultado fora uma vergonha, e errado quando disse que o campeonato era o “paulistinha”, e que até o mais fanático de todos os palmeirenses, sabe que não é, este rompimento não pode ser feito como querem os mais radicais, e, de uma hora para outra fazer com que o clube não dispute mais a competição, existem muitos detalhes envolvidos, e um deles, fundamental relacionado ao lado financeiro. Temos que ter em mente que mesmo bem financeiramente, o Palmeiras não pode simplesmente rasgar dinheiro, isso seria loucura.

De fato, algo precisa ser feito, e entendo que a diretoria acertou em cheio com a carta que apresentou à federação com algumas condições, que as coloco à disposição logo abaixo.:

1. Implantação do árbitro de vídeo para todas as partidas do Campeonato Paulista a partir do ano de 2019;
2. Criação de um sistema de gravação e divulgação, quando houver necessidade, de toda comunicação entre os integrantes da arbitragem durante os jogos;
3. Reavaliação criteriosa de quem dirige o Departamento de Árbitros da FPF e avaliação mais rigorosa sobre aqueles que comandam as partidas.
(A íntegra aqui)

Estes são os pontos iniciais para que, pelo menos a Federação Paulista de Futebol se manifeste e o clube volte a ter alguma tratativa com a instituição.

Eu sempre defendi que quem deve se preocupar com retaliações é a Federação e não os clubes, ou seja, a Federação precisa muito mais dos clubes do que os clubes precisam das federações. Há e haverá sempre um clube ou outro que será favorável a qualquer ação da entidade paulista, isso porque pensam apenas em si e no quanto podem ter de “prejuízo” caso a pequena ajuda no campeonato paulista não chegue, e não conseguem enxergar que tomar as rédeas pode ser mais vantajoso a longo prazo. Mas isso é papo para outra discussão.

Temos que ter calma nessa hora e separar o joio do trigo. Por isso listo aqui 3 pontos, que para mim precisam ser discutidos:

1. A crucificação APENAS do árbitro da partida.
Marcelo Aparecido anulou o pênalti que havia marcado a favor do Palmeiras (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Assim como no primeiro jogo da final, o contato telefônico do árbitro Marcelo Aparecido de Souza está rodando em grupos de WhatsApp, assim como um documento com o contrato social de uma das empresas do juiz, um bar na zona leste de São Paulo.
Entendo que isso é completamente desnecessário e perigoso, mesmo que seja provado factualmente toda a lambança feita no domingo. Isso só gera violência e as consequências podem ser passionais e irreversíveis.

Achar que o problema é apenas o árbitro da partida é o mesmo que reclamar para o funcionário que atende o guichê do pedágio sobre o preço que é cobrado ao passar com seu carro. O problema está acima, e, pelo que podemos perceber, bem acima dos que estão no campo.

É fato que inicialmente ele disse em súmula que privilegiou a visão do 4º árbitro, e depois em entrevista admitiu que de alguma forma houve participação do quinto árbitro na decisão. A confusão de depoimentos só corrobora para que o “esquema” fique ainda mais escancarado.

O fato de o árbitro ter um comércio próximo do estádio do Corinthians não o torna corintiano e nem o impediria de apitar um jogo, na minha opinião o que o impediria disso deveria ser única e exclusivamente a sua capacidade técnica para tal. Se assim fosse, chegará um dia em que apenas árbitros residentes na Barra Funda poderão apitar jogos do Palmeiras? Não é bem assim que funciona.

O árbitro, no campo, como foi, serviu apenas como uma “arma” e/ou um bode expiatório para a Federação. Tanto é, que meu argumento se fortalece, quando nem a Federação que parabenizou o árbitro pelas decisões tomadas na decisão o escolheu e o premiou como um dos 3 melhores da competição na festa do campeonato.

2. O desempenho do Palmeiras 
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O Palmeiras não perdeu o título somente pela confusão da arbitragem. Perdeu porque, além dos problemas da arbitragem, não conseguiu furar o forte esquema defensivo do Corinthians. Assim como o primeiro jogo em Itaquera, o gol logo no início da partida mudou qualquer estratégia que seria adotada pelo mandante, neste caso, o Palmeiras.

A falha individual de Antônio Carlos, o melhor zagueiro da competição, eleito por jornalistas à federação, na jogada do garoto Matheus Vittal foi crucial para que o Corinthians levasse o restante da partida como tem feito nos últimos dois anos, se segurando e aguardando um erro do adversário para marcar mais gols.

O Palmeiras realmente não fez uma partida boa e foi muito abaixo do que pode e já o vimos produzir, mas não podemos em hipótese nenhuma nos esquecermos de que do outro lado da peleja estava o maior adversário do clube, que tem o mesmo tamanho de camisa, e assim como o Palmeiras quando joga lá, não teme a pressão quando joga cá.

O jogo foi exatamente o espelho do que aconteceu na primeira partida: quem fez o gol primeiro (no início do jogo), estrategicamente jogou na esperança de aproveitar o erro do adversário. Engana-se ou pouco entende do esporte futebol quem acha que pelos investimentos e time que o Palmeiras tem, vai sair atropelando todos os adversários. Não é assim em lugar nenhum no mundo, ainda mais se tratando de uma final contra o maior rival. Engana-se mais ainda quem trate o Corinthians como o pobre coitado que não tem elenco e nem dinheiro. Pode ter investido menos que o Palmeiras, mas são equivalentes. No seu elenco, jogadores com bagagem e experiência, além de títulos o tornam um elenco tão forte quando o do Palmeiras. Não se engane achando que eles são coitados. Não são.

As defesas de Cássio nas cobranças de Dudu e Lucas Lima, trouxeram o que de mais podemos perceber em alguns torcedores do Palmeiras, a ira momentânea contra seus jogadores. Sobre Dudu ter batido no mesmo canto que sempre bate e perdido: “A, mas não pode bater todas ali”. É onde ele treina, onde ele sente confiança pra bater. Se tivesse batido no canto direito e perdido, o discurso seria: “A, mas sempre bateu na direita, treina batendo ali, porque mudar na final? Óbvio que ia dar errado”. O mesmo vale para Lucas Lima. Este, que já vem sendo cobrado justamente por não aparecer em grandes jogos, por não ter ido bem contra o Santos e contra o Corinthians. Mas não se esqueçam que na libertadores fez boa partida na estreia e contra o São Paulo, foi muito bem.

A raiva surge, mas mais uma vez eu digo: Muita calma nessa hora!

3. Daqui para a frente
O time, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do C Alianza Lima, durante partida válida pela segunda rodada, fase de grupos, da Copa Libertadores, na Arena Allianz Parque.
Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

O campeonato paulista acabou, caso o Palmeiras o tivesse vencido teria acabado da mesma forma. Por isso, vida que segue. O foco tem que ser no próximo jogo. Será difícil, o jogo mais complicado até aqui na competição. Lamentar o ocorrido no domingo só vai prejudicar o time e a concentração para o que deverá ser feito na quarta feira à noite.

O torcedor já deu a sua resposta, e, mesmo com o alto valor dos ingressos, vai lotar o Allianz Parque. O torcedor do Palmeiras, em sua essência é assim, fica triste, magoado, fulo da vida mas não abandona o time, nunca. Já foram vendidos até o momento em que escrevia este texto 33 mil ingressos para o duelo contra o Boca Juniors.

Temos que manter a guarda alta, não baixar a cabeça e seguir em frente, com dignidade e união para as glórias (parafraseando a assinatura da Mancha Verde), temos que seguir e continuar apoiando.

A posição institucional do clube, certamente trará consequências, que, com certeza não serão sempre favoráveis. Por isso a torcida terá papel ainda mais importante na história do Palmeiras.

Como dizemos, Avanti Palestra.

Concorda comigo?

Um comentário sobre “Palmeirense, muita calma nessa hora.

  1. Belo texto, é frustrante ser Palmeirense, diria mais, é frustrante ser qualquer um dos outros grandes do SP, sempre será difícil nas decisões, você vê no dia a dia nas TVS até mesmo quando o Palmeiras ta bem tem aquelas cutucadinhas sem necessidade, a mídia está contra nós, mas temos que ter calma e incentivar o time, afinal, somos todos Palmeirense, e foda-se os outros.

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